
A cantora e pastora Ana Paula Valadão foi condenada, no último mês de abril, a pagar R$ 25 mil por danos morais coletivos, devido a declarações feitas em 2016, durante evento religioso, quando relacionou a homossexualidade à prática de pecado e à transmissão do vírus HIV. Ana Paula não é a primeira a ter o nome relacionado a esse tipo de ação ou decisão na Justiça brasileira.
Pastores e membros de igrejas evangélicas vêm sendo processados ou afastados, com frequência, ao se posicionarem em relação a assuntos como homossexualismo e religiões afro, entre outros temas. O pastor André Valadão, da Igreja Batista Lagoinha, por exemplo, passou a ser investigado por incitação a crime, após uma fala dele durante pregação ser considerada homofóbica. Ele denunciou, então tentativas de “calar cristãos por toda a Terra” e prometeu divulgar “verdades bíblicas sobre como vencer a censura”.
Também da Lagoinha, o pastor Felippe Valadão foi indiciado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), em 2022, ao dizer, durante evento em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que muitos centros de umbanda seriam fechados. Ele alegou ter proferido “palavras em defesa da própria fé, acreditando que pessoas de outras religiões poderiam se converter à fé cristã” e que tinha apenas o objetivo de “evangelizar” os participantes do evento.
<< Censura explícita >>
Para o pastor Rodrigo Mocellin, da Igreja Resgatar, em Taguatinguetá (SP), o que está havendo é “uma censura explícita contra os pastores que se posicionam”. Ele próprio já foi alvo de cinco processos por posicionamentos no canal dele no Youtube, onde tem 572 mil inscritos, além de postagens em redes sociais como o Instagram, em que conta com 225 mil seguidores.
Três processos foram por acusação de homofobia. Dois deles envolvem declarações de 2020 sobre o silêncio do movimento feminista diante do fato de a miss Goiás Rayka Vieira – a primeira “mulher trans” representante de Goiás no Miss Brasil Mundo – ser um homem.
“Homofobia é o ódio aos gays, é dizer que o gay é menos humano. O próprio STF (Supremo Tribunal Federal) disse que é garantido o direito dos pastores, dos cristãos de expressarem suas convicções religiosas, desde que isso não se configure em discurso de ódio. E o próprio STF declara que o discurso de ódio é o que vai incitar violência, dizer que o gay é menos ser humano, não tem direitos civis como os outros. E não foi nada disso que eu fiz”, explica Mocellin.



