
O Dia Nacional do Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado nesta terça-feira (20/2), joga luz sobre um problema que está longe de ter solução. O Brasil já responde por 20% do consumo de drogas no mundo. O Relatório Nacional de Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revela que cerca de 6 milhões de brasileiros já provaram cocaína alguma vez na vida.
Os dados alarmantes mostram que o consumo de droga no país cresceu 23% nos últimos 10 anos. Nesse universo destruidor, 5,6 milhões de adultos e 442 mil menores já consumiram crack, óxi e merla. Além disso, 39,5 milhões sofreram algum tipo de transtorno mental por causa das drogas, alta de 45% em 10 anos.
Quando o assunto é bebida alcoólica, o cenário também é preocupante. Um levantamento feito pelo Centro de Informações sobre Saúde do Álcool (CISA) – o “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2023” – mostrou que 45% dos brasileiros ingerem bebida alcoólica em festas, eventos sociais e até mesmo em casa. Desse total, 25% são jovens (18-24 anos) e 23% são adultos jovens (25-34 anos).
Fé exerce papel fundamental no tratamento ::::: Para o doutor em Psicologia e psicanalista especialista em Neurociência, pastor Édson de Oliveira Pinto, é inegável o papel da fé na terapia humana, não só no tratamento da dependência química, como também em outros contextos, como a prevenção ao suicídio.
“Uma pessoa que tem fé consegue pagar uma promessa com tanta segurança, de maneira tão positiva que isso exerce sobre o seu corpo um efeito altamente positivo. No que diz respeito às drogas, a fé é o elemento central para ajudar uma pessoa na saída de dependência química”, garante o doutor.
O pastor explica que, quando o tratamento do dependente associa medicamentos, psicoterapia e fé, a resposta positiva aumenta em 70%. “Dependendo da abordagem espiritual, podemos ter uma resposta fantástica. Essa relação com a divindade que o ser humano cultiva é muito forte. Acreditar em uma promessa faz toda a diferença”, ressalta.
O especialista também alerta para a importância da prevenção, principalmente para que se evite a experimentação. “A prevenção primária é aquela em que a família, a igreja e os determinados atores sociais agem de forma que a pessoa a criança ou o adolescente não tenha contato com a droga. A outra prevenção é a secundária, quando uma pessoa já teve contato com a droga, mas foi ocasional. Nesse caso, o trabalho é para evitar que se dê sequência ao uso, para que esse quadro não fique crônico”, explica.



