
Em apenas 126 municípios brasileiros (0,4%), a maioria no Rio Grande do Sul (53), 31 de outubro foi feriado municipal em homenagem à Reforma Protestante. Mas, nenhuma capital da federação considera esse dia, mais lembrado como o ‘Halloween’, a ‘Festa das Bruxas’.
Tanto a igreja Católica como igrejas protestantes valorizam as “ações de graça”, as “graças alcançadas”, não por “Trick or Treat” (doces ou travessuras), o pedido de crianças nas portas de casas de lares dos Estados Unidos.
A origem do Halloween remonta aos Samhain, um povo da Irlanda. Era o festival mais importante do calendário celta, que comemorava o fim do verão, o começo do ano novo e as colheitas. Os celtas acreditavam que o festival libertava todo tipo de espírito, e para representá-los se fantasiavam com peles e cabeças de animais abatidos para o inverno.
Nos Estados Unidos, que exportou o Halloween ao Brasil, muito lembrado em aulas de inglês, crianças se fantasiam de bruxas e visitam a vizinhança para pedir “doces ou travessuras”. No Brasil, não chega a isso, limitando-se a vestimentas de fantasia de bruxas. A mensagem revolucionária da graça perde em importância e difusão para as “travessuras”.
O teólogo Arão Amazonas é taxativo ao afirmar que é ‘abominável’ a Deus os rituais de comemoração do Halloween. Ele parafraseia sua ideia ao lembrar da exortação descrita em Deuteronômio 7:26: “Não meterás, pois, coisa abominável em tua casa, para que não sejas amaldiçoado, semelhante a ela; de todo, a detestarás e, de todo, a abominarás, pois é amaldiçoada”.
Ainda em seu raciocínio, o teólogo chama essa celebração de ‘cultura pop’ que foi introduzida sutilmente no país e normatizada pelos cristãos. “E, vemos claramente essa cultura entrando nos lares por meio de filmes e séries. Esse dia é conhecido como o início do ano satânico e, por isso os cristãos não deviam ‘comemorar’ a data”, adverte ao completar: “essa festa não tem nada de inocente, mas, sim de consagrações espirituais a demônios”.
Reforma – Para os luteranos, a Reforma Protestante levou a mudanças importantes em diversos aspectos da sociedade: além da religião, foco principal da revolta do então jovem monge, transformações na educação, na ética, na política e no trabalho também foram inspiradas pelos ideais protestantes. As contestações de Lutero provocaram mudanças que ultrapassaram os muros da igreja – ou das igrejas, como passaria a ser a partir da Reforma Protestante — e que têm impacto até os dias de hoje.
No Brasil, onde chegou no início do século 19, com os imigrantes alemães, o luteranismo marca presença principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Ficam no Rio Grande do Sul, onde se estima que estão mais da metade das pessoas que se identificam como devotas dos ensinamentos de Lutero no país, as sedes nacionais das duas instituições luteranas brasileiras: a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (Ielb).
São Leopoldo, na Região Metropolitana, foi a primeira cidade alemã do Brasil. Os primeiros imigrantes vieram da Alemanha em 1824 e se instalaram na cidade do Vale do Sinos, que fica a pouco mais de 30km de distância de Porto Alegre. Ainda assim, o dia 31 de outubro não é feriado em São Leopoldo.



