Especialistas do Amazonas discutem exposição de crianças e adolescentes a conteúdos sexuais na internet

Em Manaus, sexólogos e psiquiatras debatem o teor de uma pesquisa que revela um percentual de 16% dos menores brasileiros já foram expostos a conteúdos de cunho adulto

Dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), que desde 2012, faz uma análise sobre o uso de internet no país todo ano, revelam que 16% das crianças e adolescentes brasileiras de 11 a 17 anos disseram já ter recebido mensagens com conteúdo sexual na internet. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 25/10, na pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023.

A empresa entrevistou presencialmente 2.704 crianças e adolescentes, ao lado de seus pais ou responsáveis, entre março e julho de 2023. Ainda sobre o tema envolvendo conteúdo sexual na internet, a pesquisa apontou que: o percentual de pessoas que disseram ter recebido conteúdo sexual on-line foi maior entre adolescentes de 15 a 17 anos (27%), que são os usuários mais assíduos de internet.

Continua após a publicidade..

Essa indústria, em nível mundial, é gigantesca e cada vez mais eles estão conseguindo acessar a mente das crianças. Até os desenhos animados, de maneira sutil, enviam mensagens sexuais aos menores (Dr. Arão Amazonas)

Outros 9% dos menores de 11 a 17 anos afirmaram que outras pessoas já pediram na internet uma foto ou vídeo em que elas aparecessem sem roupa; 5% disseram que outras pessoas já pediram para elas falarem sobre sexo no ambiente on-line; 9% dos usuários de 9 a 17 anos alegaram que viram fotos ou vídeos de conteúdo sexual na internet nos últimos 12 meses; sobre o meio em que viram essas imagens, 26% alegaram que foi nas redes sociais; 9% em sites de vídeos; e 5% em sites de jogos.

Ao Norte Cristão, o especialista em sexologia multidisciplinar, Arão Amazonas, informou que a indústria da pornografia está em alta e que, de forma estratégica, os sites com esses conteúdos são aqueles que dão mais lucros. “Essa indústria, em nível mundial, é gigantesca e cada vez mais eles estão conseguindo acessar a mente das crianças. Até os desenhos animados, de maneira sutil, enviam mensagens sexuais aos menores”, detalha.

O especialista faz um alerta aos pais, que segundo Amazonas, devem criar uma rede de proteção aos filhos para barrar o acesso explícito aos conteúdos específicos para adultos. “Os pais devem ficar atentos ao que os filhos acessam e, se possível é prudente limitar, e até filtrar, o que eles veem na internet. Pois, quem expõe esses materiais não se importa com as idades e nem quem visualiza suas mensagens intrusas. Uma vez a criança tendo acesso pode levar ao vício precocemente”, adverte o sexólogo.

Continua após a publicidade..

Então, futuramente quando elas aumentarem o seu nível de consciência terão uma nítida percepção de que não têm valor, não têm amparo, que não são protegidas e de que não podem mudar aquela realidade porque não se veem como indivíduos na vida adulta e de que ninguém as protegeu (Dra. Alessandra Pereira)

E, os riscos não param por aí. Em entrevista ao Norte Cristão, a psiquiatra Alessandra Pereira chama a atenção para os distúrbios e consequências para a saúde mental de quem se expõe à pornografia e conteúdos sexuais precocemente.  A médica conta que existe um alto índice de depressão e de ideação suicida, pois as crianças passam a perceber que os seus corpos e vida não têm valor.

“Então, futuramente quando elas aumentarem o seu nível de consciência terão uma nítida percepção de que não têm valor, não têm amparo, que não são protegidas e de que não podem mudar aquela realidade porque não se veem como indivíduos na vida adulta e de que ninguém as protegeu. Também passam a notar que seu corpo era algo banal e que nem elas mesmas conseguem lhes dar o valor que merecem”, analisa a médica.

Outro ponto observado pela médica diz respeito a uma confusão mental que as crianças podem apresentar com relação a sexualidade precoce, como a hipersexualização. “Isso acontece com pessoas que na vida adulta ficam focadas apenas nas relações sexuais e não se importam com as relações emocionais fazendo muitas vezes vínculos carnais sem ter necessariamente um vínculo emocional e afetivo. Então se tornam relações superficiais, sem uma valorização do que ‘eu sou’, sinto e posso oferecer, ou de como eu posso obter um prazer temporário na relação”, exemplifica.

“SOU APENAS UM OBJETO” – A psiquiatra Alessandra Pereira analisa quem se expõe à pornografia pelo ângulo da objetivação, ou seja: a pessoa passa a se ver como um objeto ou utiliza as pessoas como um objeto de prazer. “A relação do corpo passa a ser uma relação de prazer e, muitas vezes desvinculadas do amor. Logo para essas pessoas o corpo e o sexo passam a ser objetos de prazer e não uma finalização ou consumação de um amor real, de um vínculo afetivo”, sintetiza a médica.

Então se tornam relações superficiais, sem uma valorização do que ‘eu sou’, sinto e posso oferecer, ou de como eu posso obter um prazer temporário na relação

Além desses fatores, ela explica que as pessoas podem, ainda, desenvolver uma violência sexual grave tornando-se abusadores ou abusivas nas suas relações. “Como por exemplo, mulheres que não conseguem mais manter uma relação saudável e ter prazer e homens que entram em conflito com sua própria sexualidade. Não existe autoestima nessa população, pois é muito difícil a pessoa se olhar, se amar, se cuidar se ela não foi amada e cuidada durante a infância”, conclui.

Compartilher:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no pinterest
Notícias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conecte-se conosco

Receba novidades em primeira mão