
No Brasil, o abuso sexual contra crianças e adolescentes é um problema crônico. E a situação se torna ainda mais grave porque, segundo pesquisas, os agressores, em sua maioria, são pessoas próximas das vítimas, que acabam sendo abusadas no próprio ambiente familiar.
Não faltam casos para exemplificar. Um homem foi condenado a 43 anos e nove meses de prisão, em regime fechado, por ter abusado sexualmente da filha durante 10 anos, em Redenção, no interior do Ceará. A decisão foi divulgada pelo Ministério Público na última quinta-feira (2/5).
No Distrito Federal, um homem de 43 anos foi preso em flagrante, na última quarta-feira (1º), no Recanto das Emas, suspeito de estuprar a filha autista, de 11 anos. A prisão foi realizada pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), após a irmã da vítima, uma jovem de 23 anos, ter acionado a corporação. Em fevereiro deste ano, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) prendeu um homem de 32 anos, suspeito de estuprar a filha de nove anos. O crime ocorreu na zona leste de Manaus.
Diante desses episódios, é inevitável a pergunta: o que fazer para proteger nossos filhos dos abusos sexuais?
Alguns alertas são importantes, como destaca Daiane Lacerda, líder de proteção e salvaguarda nacional da Visão Mundial Brasil, ONG cristã que trabalha na proteção de crianças e adolescentes. Primeiro, segundo ela, é preciso ter tempo e espaço com os filhos, para que não fiquem expostos e para que pessoas mal-intencionadas não encontrem oportunidade para abusar deles.
“Outra questão é a internet. O monitoramento é importante. Saber com quem estão conversando e sobre qual assunto, bem como ter ciência a respeito dos conteúdos acessados”, ressalta Daiane, acrescentando que muitos agressores utilizam figuras ou imagem bondosas para atrair a atenção de crianças e adolescentes. Além disso, eles fazem a abordagem a partir de “assuntos que sejam de interesse” desses públicos.
Daiane pontua, também, que conversar com os filhos sobre autoproteção é essencial. Isso significa ensinar sobre limites, deixar claro quais são as partes íntimas do corpo, orientar sobre como reconhecer situações de perigo e falar sobre privacidade e emoções. “É muito importante se abrir para o diálogo e trazer para eles essas informações. Assim, estarão protegidos, porque conseguirão identificar as situações e saberão como se defender”.
A partir da construção da confiança, segundo ela, os pais serão as pessoas de referência, a quem os filhos irão recorrer, caso aconteça algo. Daiane diz que, muitas vezes, a criança fala sobre situações de abuso, mas o adulto não presta atenção, não acredita e até a culpabiliza. “Falar e denunciar é importante, sem constrangimento. Caso contrário, a criança fica em situação de risco, enquanto o abusador é protegido”.



