Conselho de Medicina e Associação de Psiquiatria se declaram contra liberação da maconha; tráfico e violência

Segundo as instituições, a descriminalização do porte poderia causar o crescimento do consumo da Cannabis, o fortalecimento do tráfico de drogas e o aumento do índice de violência

A descriminalização da maconha voltou ao debate público no Brasil, com o Supremo Tribunal Federal (STF) colocando a pauta em julgamento. A discussão sobre a legalização do porte da droga seria retomada no Supremo na quarta-feira (06), porém, o julgamento acabou sendo suspenso pela terceira vez.

Duas entidades médicas se posicionaram contra a liberação da maconha no país. O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) emitiram uma nota conjunta, alertando sobre os perigos do consumo da droga.

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Segundo as instituições, a descriminalização do porte poderia causar o crescimento do consumo da Cannabis, o fortalecimento do tráfico de drogas e o aumento do índice de violência.

“Trata-se de um droga que causa dependência gravíssima, com importantíssimos danos físicos e mentais, inclusive precipitando quadros psicóticos (alguns não reversíveis) ou agravando sintomas e a evolução de padecentes de comorbidades mentais de qualquer natureza, dificultando seu tratamento, levando a prejuízos para toda a vida”, ressaltou a CFM e a ABP no documento.

Riscos à saúde coletiva: As entidades afirmaram que o consumo de drogas influencia para o aumento de casos de suicídio, homicídio e acidentes de trânsito.

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O Conselho de Medicina e a Associação de Psiquiatria ainda afirmaram que não há comprovação científica e experiência histórica de consequências positivas na sociedade com a descriminalização de drogas ilícitas.

“Pelo contrário, é nos países com maior rigor no enfrentamento às drogas que há diminuição do número de casos de dependência química e de violência relacionada ao consumo e ao tráfico dessas substâncias”, reforçaram.

As instituições médicas pediram que o governo brasileiro invista no combate ao tráfico de drogas e no tratamento de usuários.

“Em lugar da descriminalização de drogas, o foco deveria ser o investimento no combate ao tráfico de drogas e no fortalecimento de ações preventivas e educativas para desestimular o consumo da maconha”, defenderam.

Julgamento suspenso pela 3ª vez: O julgamento está em andamento desde 2015. Naquela época, foi interrompido devido a um pedido de vista do então ministro Teori Zavascki, falecido em um acidente aéreo em 2017.

Retomado em agosto de 2023, a análise do caso foi suspensa após pedido de vista feito pelo ministro André Mendonça. Reiniciado na quarta-feira (06), a ação recebeu dois votos contrários (André Mendonça e Nunes Marques), sendo suspensa após terceiro pedido de vistas, feito pelo ministro Toffoli.

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