Do estresse à solidão, saiba como enfrentar a síndrome da ‘dezembrite’ durante as celebrações de final de ano

Entenda o termo e quais são os sintomas associados ao efeito prejudicial à saúde mental no período

Estar desanimado para a ceia de Natal ou os encontros do Réveillon aflige milhares de pessoas com sintomas da “dezembrite” – uma expressão popular para uma síndrome definida por irritação, estresse, cansaço, dentre outros. Em meio à exaustão acumulada durante o ano, lidar com as frustrações e as cobranças externas exige cuidados com a saúde mental.

Dezembrite é um termo criado pela junção de “dezembro” com o “ite”, sufixo comum às inflamações, mas não é um diagnóstico descrito nos manuais médicos como a Classificação Internacional de Doenças (CID), apesar de ser algo percebido entre grupos diferentes.

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Esse fenômeno, inclusive, aumenta a demanda por assistência nos serviços de saúde mental. Contudo, é preciso lembrar que o acompanhamento profissional, o acolhimento e dar menos importância para as exigências podem aliviar o sofrimento no período.

“Existe um simbolismo, final de ano, início de outro, ciclos que encerram e outros que iniciam. Isso pode gerar incertezas e algumas pessoas têm mais dificuldade para lidar com isso”, resume Luísa Weber Bisol, professora de Medicina Clínica na Universidade Federal do Ceará (UFC).

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Entre as pessoas com transtornos mentais graves, a dezembrite surge como um problema mais delicado pelo potencial de risco. A especialista destaca um sintoma.

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“Solidão é um sentimento que é reflexo de isolamento social, estigma, depressão grave que causa sofrimento significativo e que pode exacerbar nessa época do ano em que tradicionalmente as famílias se reúnem”, detalha Luísa.

A psicóloga clínica Cecília Alves, mestre em Psicologia, escuta mais relatos no cotidiano de atendimentos – que inclusive aumentaram neste mês – de pessoas que não montaram árvores como sinônimo do desânimo com o período.

“Eu imagino que esse termo tenha ficado mais difundido por um sintoma social das pessoas se queixando de coisas parecidas, como não sentir alegria com as festas de fim de ano, uma melancolia, cansaço grande e desmotivação”, completa.

Melancolia da época – A digital creator Julianny Vieira, de 31 anos, sempre sente uma melancolia durante o mês de dezembro e percebe um cansaço coletivo entre as pessoas com quem convive. “Dezembro me traz uma sensação de fim de temporada, fico triste. Não sou muito fã de Natal, em específico, mas estou fazendo de tudo para ressignificar esse ano. E acredito que tem dado certo porque já me sinto melhor que nos outros anos”, considera.

Angústia, alterações de humor, insônia ou sono em excesso e fadiga são alguns dos sintomas que podem surgir

Julianny, no entanto, tem uma boa relação com os encontros familiares. “Sempre busco me fazer presente e também sinto a extrema necessidade da troca que esses encontros têm. Eles são essenciais pra dar aquelas ‘férias’ pro cérebro, de tanto pensar em trabalho, vida e futuro”, acrescenta.

Faço terapia semanalmente há 3 anos e meio e é simplesmente tudo pra mim. Hoje me conheço e me entendo. Então, quando tenho crises, sei como lidar melhor. Além da terapia, gosto de fazer coisas leves que eu amo, como andar de bike, dançar e assistir ao pôr do sol. Acalmam e trazem vida.

“Esse descanso vem no contexto em que Julianny não consegue parar devido às demandas de trabalho e, por isso, reconhece a importância do cuidado com a saúde física e mental. “Sempre que eu sinto que estou me perdendo de mim, busco me reconectar, seja com terapia, indo pra natureza, escutando músicas, conversando com amigos”, conclui.

SINTOMAS RELACIONADOS À DEZEMBRITE:

 » Sono desregulado

» Alimentação desequilibrada

» Negligência de práticas saudáveis (como exercício físico)

» Impaciência com as pessoas

» Irritabilidade de um modo geral

» Solidão

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